Nem todo siso precisa sair
Os terceiros molares, conhecidos como sisos, são os últimos dentes a nascer, geralmente no fim da adolescência ou no início da vida adulta. Quando há espaço e eles nascem na posição correta, podem permanecer na boca sem problemas, desde que seja possível higienizá-los bem.
A extração costuma ser considerada quando o dente fica preso no osso ou na gengiva (incluso ou semi-incluso), nasce inclinado, provoca inflamações repetidas na gengiva, favorece cáries no dente vizinho ou está associado a outras alterações vistas nos exames. A decisão é do dentista, depois de examinar a boca e as imagens.
Momento 1: a avaliação e o planejamento
Na consulta de avaliação, o dentista examina a região e costuma solicitar uma radiografia panorâmica. Em casos em que o siso está muito próximo de estruturas importantes, como o nervo que dá sensibilidade ao lábio inferior, pode ser pedida uma tomografia para planejar com mais segurança.
É também o momento de contar tudo sobre a sua saúde. Informe ao dentista:
- doenças como diabetes, pressão alta, problemas cardíacos ou de coagulação;
- uso de anticoagulantes, antiagregantes (como o ácido acetilsalicílico), medicamentos para osteoporose ou outros de uso contínuo;
- alergias a medicamentos ou a anestésicos;
- gestação ou suspeita de gestação;
- episódios anteriores de sangramento prolongado em procedimentos.
Importante: não suspenda nenhum remédio por conta própria antes da extração. Se for preciso ajustar algum medicamento, isso é combinado entre o dentista e o médico que o prescreveu.
Momento 2: organizando a vida em torno do procedimento
A extração é rápida, mas os primeiros dias de recuperação pedem alguma folga na agenda. Algumas dicas práticas:
- Escolha bem a data: evite véspera de viagens, provas, apresentações importantes ou eventos.
- Converse com o trabalho: em funções com esforço físico intenso, calor ou uso de equipamentos que exigem atenção total, o repouso pode ser ainda mais importante. O dentista emite atestado quando necessário.
- Deixe a cozinha pronta: tenha em casa alimentos pastosos e frios ou mornos, como iogurtes, purês, sopas não muito quentes, vitaminas e caldos.
- Providencie companhia: se houver sedação ou se você se sentir inseguro, vá acompanhado.
- Separe os itens de cuidado: gaze, compressas frias e os medicamentos que forem receitados.
No dia, siga as orientações recebidas sobre alimentação antes do procedimento e chegue com tempo, sem pressa.
No dia: o que acontece na cadeira do dentista
Saber como é o procedimento ajuda a reduzir a ansiedade. Em linhas gerais, a extração começa com a anestesia local da região, que tira a sensibilidade à dor; a pessoa continua sentindo pressão e movimentos, o que é normal. Quando o siso está totalmente nascido, a remoção pode ser parecida com a de outros dentes. Quando está preso no osso ou na gengiva, o dentista pode precisar fazer uma pequena abertura na gengiva e, às vezes, dividir o dente em partes para retirá-lo com menos trauma.
Ao final, a região é limpa e, se necessário, recebe pontos. Você sai com uma gaze para morder e com as orientações de cuidados por escrito. Leia com calma em casa e guarde o telefone de contato para dúvidas nos primeiros dias. Se algo na orientação não ficou claro, pergunte antes de ir embora.
Momento 3: a recuperação, em linhas gerais
Cada pessoa e cada extração têm um ritmo diferente, e as orientações do seu dentista prevalecem sobre qualquer guia. Em geral, a recuperação segue estas fases:
| Período | O que é esperado | Cuidados comuns |
|---|---|---|
| Primeiras horas | Formação do coágulo, pequeno sangramento | Morder a gaze conforme orientado, compressas frias por fora, repouso |
| Primeiros dias | Inchaço e algum desconforto, que tendem a atingir o pico e depois diminuir | Alimentação leve, não cuspir com força, não usar canudo, não fumar |
| Fim da primeira semana | Melhora progressiva | Retorno para revisão e, se houver, retirada de pontos |
Bochechos vigorosos, cigarro, bebidas alcoólicas, esforço físico intenso e alimentos muito quentes ou duros nos primeiros dias podem atrapalhar a cicatrização. A higiene da boca deve continuar, com cuidado na região operada, conforme a orientação recebida.
Para quem trabalha, vale planejar também o retorno: funções com esforço físico, exposição ao calor ou à poeira, ou que exigem falar muito ao longo do dia podem pedir alguns ajustes nos primeiros dias. Converse com o dentista sobre a sua rotina e, se necessário, com a liderança.
Sinais para procurar o dentista antes do retorno
- sangramento que não para com a compressão da gaze;
- dor que piora depois de alguns dias, em vez de melhorar;
- febre, mau cheiro ou secreção na região;
- inchaço que aumenta muito ou dificuldade para abrir a boca, engolir ou respirar;
- dormência no lábio ou na língua que persiste depois que a anestesia deveria ter passado.
Dificuldade para respirar ou engolir é motivo de atendimento de emergência imediato; nesse caso, procure o pronto-socorro ou ligue para o SAMU no 192.
Perguntas frequentes
Dá para tirar o siso inflamado?
Depende do quadro. Às vezes o dentista prefere controlar a inflamação antes da extração. Essa avaliação é feita na consulta.
Preciso de tomografia para tirar o siso?
Nem sempre. Em muitos casos a radiografia panorâmica é suficiente. A tomografia é indicada quando o dentista precisa ver com mais detalhe a relação do dente com estruturas próximas.
Posso trabalhar no dia seguinte?
Depende da complexidade da extração, da sua recuperação e do tipo de trabalho. O dentista orienta e, quando necessário, emite atestado.
Veja como funciona o atendimento na página de extração de dentes e siso.